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O Canto do Bode

O Canto do Bode

Alexandre da Cunha, Anderson Borba, Arnaldo de Melo, Caetano de Almeida, Cildo Meireles, Dalton Paula, Daniel Fagus Kairoz, Edu de Barros, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Fernanda Gomes, Janaina Tschäpe, João Loureiro, João Maria Gusmão, Jorge Queiroz, Juan Araujo, Julião Sarmento, Kim Lim, Laura Lima, Leonor Antunes, Lucia Laguna, Luiz Zerbini, Manata Laudares, Marcius Galan, Marina Rheingantz, Marina Saleme, Mauro Restiffe, Michel Zózimo, Panmela Castro, Pedro Victor Brandão, Rebecca Sharp, Rivane Neuenschwander, Robert Mapplethorpe, Sheroanawe Hakihiiwe, Tadáskía (anteriormente conhecida como max wíllà morais) e Tonico Lemos Auad.

Com cenografia  de João Maria Gusmão

 

Casa da Cultura da Comporta, Portugal

 

Ato 1: 22 Junho – 25 Julho

Ato 2 : 29 Julho    29 Agosto 

Horários de visitação

Terça a Sexta: 11h – 14h e 16h – 21h 

Sábado e Domingo: 10h – 14h e 15h – 19h


Fortes D’Aloia & Gabriel, Galeria Luisa Strina
e têm o prazer de anunciar O Canto do Bode, uma exposição colaborativa na Casa da Cultura da Comporta, em Portugal. São três galerias brasileiras de gerações distintas que se unem à iniciativas globais de construção de novos modelos de atuação diante de um contexto inédito no circuito das artes. As obras de 32 artistas representados pelas galerias, além de 4 artistas convidados, ocupam o antigo cinema da histórica Casa da Cultura, na Fundação Herdade da Comporta, que se converte numa galeria pop-up no verão europeu . 

A exposição que acontece em dois atos, é estruturada como uma peça de teatro, com arquitetura concebida pelo artista João Maria Gusmão, e uma narrativa que se desdobra simultaneamente na plateia, palco e bastidores. O título faz referência ao termo grego tragoedia [tragos ("bode") e oidé ("canto") e celebra a tradição brasileira de sacralização do profano e profanação do sagrado, desconstruindo a dicotomia entre o dionisíaco e o apolíneo.

No proscênio, mirando a plateia, as baquetas penduradas da obra Slit IX (2019), de Alexandre da Cunha, definem o ritmo do primeiro ato, no pulso do erotismo. A obra inédita de Ernesto Neto, Umbigo Ventre Fruto Arte, 2021, também evoca ritmo e fertilidade. Sheroanawe Hakihiiwe incorpora desenho e cor à tradição oral da cultura Yanomami - El Alto Orinoco, Venezuela - sua cosmogonia e ancestralidade.  A pintura de Edu de Barros remete à história dos afrescos e sua relação com a ascensão espiritual enquanto o universo pós simbólico de Jorge Queiroz se revela em sua pintura enigmática. 

No centro do palco, as obras de Daniel Fagus Kairoz e Cildo Meireles questionam momentos políticos infames na história brasileira. Em The Weeping White Man e Word (ambas 2020), o artista convidado Anderson Borba justapõe práticas da escultura modernista e de artistas autodidatas para tratar de temas atuais. As esculturas suspensas de Leonor Antunes usam materiais como o vime e latão criando uma coreografia visual enquanto as pinturas Depois da Tempestade de Rivane Neuenschwander (2021) sugerem novas topologias desenhadas com papel embebido pelas chuvas tropicais, passando para a natureza empírica na pintura luxuriante de Laguna Laguna. A reformulação de significados do mundo material permeia a exposição e também se reflete nas obras de Joao Loureiro, Manata Laudares e Pedro Victor Brandão.

Explorando as relações entre o espaço interior e exterior, seja como lugar imaginário ou representativo, o segundo ato abre o palco com as obras históricas Narcissus (1959) e Caryatid (1961) de Kim Lim, que reconhecem o seu interesse por civilizações antigas enquanto ativam a tensão entre uma experiência ordenada e os ritmos dinâmicos das formas orgânicas. A prática pictórica e meditativa de Rebecca Sharp revela senários insólitos e surreais e Bandeirinha (2013) de Marcius Galan questiona as capacidades metafóricas no espaço e nossa relação com ele. 

O gesto abstrato confere materialidade à tensão psicológica, nas pinturas de Arnaldo de Melo e na tela de Janaina Tschäpe, enquanto Marujo (2020) de Marina Rheingantz sugere a reconstrução de uma memória. A representação da figura surge no trabalho da Panmela Castro que retoma a tradição do retrato em pinturas de seus contemporâneos dos circuitos das artes e do ativismo social  assim como no retrato de Dalton Paula  através de um processo de reinterpretação de identidades históricas e culturais da diáspora negra. O corpo aparece como esculturas clássicas nas fotografias de bailarinos de Robert Mapplethorpe e como um desenho inusitado em três dimensões na escultura do torso tatuado de Joao Maria Gusmão. Nos trabalhos de Mauro Restiffe e Juan Araujo, palimpsestos de narrativas da arquitetura e arte suspendem-se na história da própria imagem enquanto vestígios do estúdio e restos do mundo extemporâneo se articulam nas obras de Erika Verzutti e Fernanda Gomes. 

Na encenação de dois atos ao longo da exposição, diálogos e sinergias se estabelecem entre artistas de distintas gerações e percursos formais. O Canto do Bode reafirma assim seu enredo- a possibilidade de integração de vozes que, juntas propõem novas narrativas.

 

Fundação Herdade da Comporta: aFundação Da Herdade Da Comporta tem como missão melhorar a vida das populações residentes na Herdade da Comporta, litoral alentejano nos arredores de Alcácer do Sal, a 1h30 de Lisboa. A Fundação renovou a histórica Casa da Cultura e, desde 2016, desenvolve o projeto Patrimônio Vivo, uma iniciativa para impulsionar as atividades culturais e turísticas que buscam integrar e beneficiar a comunidade local. 

 

Fortes D’Aloia e Gabriel: Fundada em 2001, Fortes D’Aloia & Gabriel é referência pela força e qualidade da arte contemporânea brasileira no cenário internacional. Em agosto, comemora seu 20º aniversário. A galeria representa 40 artistas por meio de uma programação dinâmica e diversificada, com uma média de 15 exposições por ano, lançamentos de livros, workshops infantis, projeções e palestras com especialistas na área. Participa das feiras de arte mais importantes do mundo e apoia regularmente publicações e exposições institucionais. Fundada em 2001 por Márcia Fortes e Alessandra D’Aloia como Galeria Fortes Vilaça, teve seu nome alterado em 2016 quando Alexandre Gabriel, que até então havia atuado como Diretor Artístico, se tornou sócio. Atualmente, são duas salas de exposições com perfis distintos: Galpão em São Paulo e Carpintaria no Rio de Janeiro.

 

Galeria Luisa Strina: em 2021 a Galeria Luisa Strina completa 47 anos de atividade. Luisa Strina começou como marchande em 1970 e abriu sua galeria em 1974. Durante a década de 1970, Strina introduziu no mercado diversos expoentes do que mais tarde se chamaria Geração 70, como Cildo Meireles, Tunga, Waltercio Caldas e Antonio Dias. Sua galeria foi a primeira latino-americana convidada a participar da feira de arte de Basel, em 1992. Na década de 1990 começou a trabalhar com artistas brasileiros que posteriormente desenvolveriam carreira internacional, como Alexandre da Cunha, Fernanda Gomes, Marcius Galan e Marepe. Na década de 2000, a galeria voltou sua atenção para jovens artistas latino-americanos como Mateo Lopez, Gabriel Sierra, Jorge Macchi, Pedro Reyes e Carlos Garaicoa, bem como para uma nova geração de brasileiros, como Renata Lucas, Laura Lima, Jarbas Lopes e a portuguesa Leonor Antunes. Na última década, a Galeria Luisa Strina coroou sua longa trajetória trazendo para a galeria nomes como Anna Maria Maiolino, Lygia Pape, Alfredo Jaar e Robert Rauschenberg.

 

Sé Galeria: em 2011, a artista e curadora Maria Montero fundou a Phosphorus. Situado em um contexto histórico, na primeira rua da cidade de São Paulo, foi um espaço dedicado à experimentação artística e residências. Em 2014, após um programa contínuo de exposições e mais de vinte residências, Montero fundou a galeria Sé no mesmo edifício. Após 6 anos no centro de São Paulo, a Sé mudou sua sede para a casa 2 da Vila Modernista de Flávio de Carvalho, no bairro dos Jardins. Sé representa 19 artistas brasileiros, com sólida trajetória institucional ou acadêmica, a maioria deles iniciou seu diálogo com o mercado de arte por meio da galeria. A Sé ganhou vida em um momento de revisão do modus operandi da arte contemporânea, trabalhando em colaboração e parceria com os artistas representados, privilegiando o acompanhamento crítico e a realização de projetos institucionais, com foco na formação de novos públicos para artistas e obras que expressam uma visão conceitual e baseada em pesquisa da arte contemporânea.

 

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O Canto do Bode

Leonor Antunes, Juan Araujo, Tonico Lemos Auad, Anderson Borba, Pedro Victor Brandão, Panmela Castro, Alexandre da Cunha, Caetano de Almeida, Edu de Barros, Arnaldo de Melo, Marcius Galan, Fernanda Gomes, João Maria Gusmão, Sheroanawe Hakihiiwe, Daniel Fagus Kairoz, Lucia Laguna, Kim Lim, Laura Lima, João Loureiro, Manata Laudares, Robert Mapplethorpe, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Rivane Neuenschwander, Dalton Paula, Jorge Queiroz, Mauro Restiffe, Marina Rheingantz, Marina Saleme, Julião Sarmento, Rebecca Sharp, Tadáskía (formerly max wíllà morais), Janaina Tschäpe, Erika Verzutti, Luiz Zerbini and Michel Zózimo. 

Architecture design by João Maria Gusmão 


Casa da Cultura da Comporta, Portugal

First Act: 22 June – 25 July

Second Act: 29 July – 29 August

Opening hours

Tuesday to Friday: 11am – 2pm and 4am – 9pm

Saturday and Sunday: 10am – 2pm and 3pm – 7pm


Fortes D’Aloia & Gabriel, Galeria Luisa Strina
and are pleased to announce O Canto do Bode [The Song of the Goat], a collaborative exhibition at the Casa da Cultura da Comporta, in Portugal. Three Brazilian galleries from different generations join global initiatives in building new working models in an unprecedented context for the art circuit. 32 artists represented by the galleries, in addition to 4 guest artists, will occupy a former cinema within the historic Casa da Cultura, at the Herdade da Comporta Foundation, which becomes a pop-up gallery in the European summer. 

The exhibition takes place in two acts and is structured like a play, with architecture design by artist João Maria Gusmão, and a narrative that unfolds simultaneously in the audience, stage and backstage. The title refers to the Greek term tragoedia [tragos (“goat”) and oide (“song”) and celebrates the Brazilian tradition of sacralizing the profane and profaning the sacred, deconstructing the dichotomy between the Dionysian and the Apollonian.

In the proscenium, facing the audience, the suspended drumsticks in Alexandre da Cunha’s Slit IX (2019) define the first act’s cadence, on the beat of the erotic. Ernesto Neto’s new work Umbigo Ventre Fruto Arte [Belly Button Womb Fruit Art] (2021) also evokes rhythm and fertility. Sheroanawe Hakihiiwe incorporates colour and Yanomami oral tradition from El Alto Orinoco, Venezuela, its cosmogony and ancestry. Edu Barros’ painting calls upon the history of frescos and its relationship with spiritual ascension, whilst Jorge Queiroz’s post-symbolic world is revealed in his enigmatic painting. 

At centre-stage, the works of Daniel Fagus Kairoz and Cildo Meireles call into question infamous moments in Brazilian political history. In The Weeping White Man and Word (both from 2020), invited artist Anderson Borba juxtaposes the practice of modernist sculptors and self-taught artists as a way of dealing with current issues. Leonor Antunes’ suspended sculptures use materials such as wicker and brass to create a visual choreography. In turn, Rivane Neuenschwander’s painting After the Storm (2021) suggests new topologies designed on paper soaked in tropical rain, followed by the empirical nature of Lucia Laguna’s luxurious painting. The reformulation of meanings from the material world permeates the entire exhibition and is also reflected in the works of João Loureiro, Manata Laudares and Pedro Victor Brandão.

Exploring the relationship between interior and exterior, both as places of imagination and representation, the second act opens the stage with Kim Lim’s historic works Narcissus (1959) and Caryatid (1961), showcasing her interest in ancient civilisation whilst activating the tension between ordered experience and the dynamic rhythm of organic forms. Rebecca Sharp’s pictorial and meditative practice reveals unusual and surreal scenes, and Marcius Galan’s Bandeirinha [Bunting] (2013) questions the metaphorical capacity of space and our relationship with it. 

Abstract gesture confers materiality onto psychological tension in the paintings of Arnaldo de Melo and Janaina Tschopp, whilst Marujo [Sailor] (2020) by Marina Rheingantz suggests the reconstruction of a memory. Figurative representation emerges in the work of Panmela Castro, where she revisits the tradition of portrait by painting her contemporaries in the art and activism fields, as well as in the portrait by Dalton Paula who reinterprets black diaspora historic and cultural identities. The body appears as classical sculpture in Robert Mapplethorpe’s ballet photographs and odd three-dimensional shapes in João Maria Gusmão’s sculpture of a tattooed torso. In the works of Mauro Restiffe and Juan Araujo, palimpsests of architecture and art are suspended in the history of image, whilst vestiges of studio practice and remnants of an extemporaneous world come together in the works of Erika Verzutti and Fernanda Gomes.  

In the staging of two exhibition acts, dialogues and synergies are established between artists from different generations who have followed different formal paths. The Song of the Goat unfolds its main plot – the possibility of bringing together voices that propose new joint narratives.

Fundação Herdade da Comporta: the mission of Fundação da Herdade da Comporta is to improve the lives of people who live in Herdade da Comporta, a village on the coast of Alentejo next to Alcácer do Sal, a 1.5-hour drive from Lisbon. The foundation has renovated the historic building of Casa da Cultura and, since 2016, has been developing a project called Live Heritage, a public initiative that aims to foster cultural and tourist activities that seek to integrate and benefit the local community. 

 

Fortes D’Aloia & Gabriel: Fortes D’Aloia & Gabriel is a standard for the strength and quality of Brazilian contemporary art within the international scene. This August marks its 20th anniversary. The gallery represents 40 artists through a dynamic and diverse program, with an average of 15 exhibitions a year, book launches, workshops for kids, screenings, and talks with experts in the field. It takes part in the most important art fairs worldwide and regularly supports institutional publications and exhibitions. Founded in 2001 by Márcia Fortes and Alessandra D’Aloia as Galeria Fortes Vilaça, it had its name changed in 2016 when Alexandre Gabriel, who had until then had served as Artistic Director, became a partner. There are currently two exhibition venues with distinct profiles: Galpão in São Paulo and Carpintaria in Rio de Janeiro. 

 

Galeria Luisa Strina: in 2021 Galeria Luisa Strina complets 47 years of activity. Luisa Strina started as a marchand in 1970 and opened her gallery in 1974. During the 1970s, Strina introduced into the market diverse exponents of what later would be called Geração 70, such as Cildo Meireles, Tunga, Waltercio Caldas and Antonio Dias. Her gallery was the first Latin-American one invited to participate in the Basel Art Fair, in 1992. During the 1990s she started working with Brazilian artists that would afterwards develop an international career, such as Alexandre da Cunha, Fernanda Gomes, Marcius Galan and Marepe. In the 2000s, the gallery moved its attention to young Latin American artists like Mateo Lopez, Gabriel Sierra, Jorge Macchi, Pedro Reyes and Carlos Garaicoa, as well as to a new generation of Brazilians like Renata Lucas, Laura Lima, Jarbas Lopes and the Portuguese Leonor Antunes. In the last decade, Galeria Luisa Strina has crowned its trajectory, bringing Anna Maria Maiolino, Lygia Pape, Alfredo Jaar and Robert Rauschenberg to the gallery.

 

Sé Galeria: in 2011 artist and curator Maria Montero founded Phosphorus. Located in a historical context, at the very first street of the city of São Paulo, it was a space dedicated to artistic experimentation and residencies. In 2014, after a continuous program of exhibitions and over twenty residencies, Montero founded Sé gallery in the same building. After 6 years in São Paulo downtown, Sé changed its headquarters to house 2 of Flávio de Carvalho’s modernist village in the Jardins neighborhood. Sé represents 19 Brazilian artists, with a solid institutional or academic path, most of them began their dialogue with the art market through the gallery. Sé came to life in a moment of revision of the contemporary art modus operandi. Sé works in collaboration and partnership with the represented artists, privileging the critical accompaniment and the realization of institutional projects. The gallery seeks to form new audiences for artists and works that express a conceptual and research-based vision of contemporary art.

Rua: Al. Lorena, 1257 , Vila Modernista - Casa 2

Jardim Paulista

São Paulo / CEP 01424-001

tel+ (11) 3107-7047