Michel Zózimo

O nome vem depois

Abertura
28/08/2021
das 10h às 15h

Visitação
De 28/08 à 30/10/2021
de terça a sexta das 12h às 19h
sábados das 12h às 17h
ou com agendamento


Sé apresenta a exposição “O nome vem depois”, terceira individual de Michel Zózimo.

Mostra do artista gaúcho ocupa os espaços da galeria com seleção inédita de desenhos, bordados, cerâmicas, aplicações em tecido e escultura e conta com texto de apresentação de Lilia Schwarcz.

O que eram trabalhos em colagens, apropriações física das imagens de livros e enciclopédias antigas, adquire na presente série um caráter simbólico amplo. Zózimo subverte a linguagem das ilustrações naturalistas que encontra nessas publicações para criar sua própria linguagem, em desenhos como “São Jorge” e “Moréia”, composições de animais de todos os tipos, plantas, vegetais, frutas, flores, minerais, convivendo em integração. Feitos pela sobreposição de pontos e coloração manual, o que cria o mesmo feito reticular de antigas ilustrações, fogem da representação direta, misturando figura e fundo e propondo uma síntese formal.

Como apresenta Schwarcz: “Michel Zózimo nasceu em Santa Maria no ano de 1977. Hoje ele vive e trabalha em Porto Alegre – é doutor em poéticas visuais pela UFRGS, e professor do Colégio de Aplicação da mesma Instituição. Seus trabalhos têm diferentes pontos de partida, mas boa parte deles são realizados, justamente, a partir de velhas enciclopédias impressas. Delas o artista retira e explora, entre outros temas, a formação de pedras, a origem dos vulcões e das montanhas, a queda dos meteoritos e dos planetas e as formas inusitadas dos corais. Continua com objetos voadores não identificados, conchas e árvores, assim como os efeitos visuais do ópio e seus derivados, até as imagens que povoam os pesadelos. Ainda com desenhos de tatuagens, filmes de ficção científica, e a execução de truques de mágica. Todo esse vasto temário aparece envolto por uma agenda pessoal que muito se aproxima da enciclopédia chinesa de Borges, de seu “Empóriocelestial dos objetos benévolos”, e do etcetera que dá lugar a novas relações. Um mundo infinito de [relações] arranjos visuais. Uma enciclopédia visual Michel Zózimo”.

Os trabalhos bordados feitos em parceria com a artista Fernanda Gassem, como "Cannabis” e “Ariadne”, compartilham similaridades com os desenhos e, por sua vez, transbordam o suporte de linho com cores vibrantes e saliências. Sua volumetria contrasta- se com a bidimensionalidade e ortogonalidade do suporte dos trabalhos em papel. Neste caminho ainda, as obras em cerâmica, como “Pata Verde”, borram ainda os próprios limites de cada ente ou  elemento, fundindo pedras a troncos, a rabos e bicos, em recriações de caráter fantástico.

Em “cabeça de ave”, obra produzida em pareceria com o artista Aloisio Licht, Zózimo nos apresenta uma espécie de objeto ritualístico, cujo título já nos indica a sua origem. Produzida em aramado de fio de cobre, essa peça foi criada a distância pelos dois artistas, a partir de conversas sobre a ideia de uma cabeça de pássaro. Sem desenho prévio ou projeto, a peça foi sendo construída, resultando em uma espécie de jóia, relíquia ou objeto ritualístico. “Lá está ele, o pato ou a ave que queiramos imaginar, como se fosse um artefato de uma cultura que desconhecemos. Como se estivesse pronto para performar uma cerimônia” como descreve Schwarcz no texto de apresentação que acompanha a exposição.

A maioria dos trabalhos da mostra foram feitos longamente durante a pandemia, em reclusão, e carregam em si uma temporalidade excepcional que agrega aos trabalhos densidades e detalhamentos particulares. A poética de Zózimo se aproxima de proposições da literatura fantástica, sobretudo obras do escritor argentino Jorge Luis Borges, para se contrapor a um projeto fácil de classificação e representação do mundo. Como um naturalista da imaginação e da fabulação, Zózimo cria sua própria enciclopédia visual.

 

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