Arnaldo de Melo

West-Berlin 1987-1990

 

West-Berlin 1987-1990 é a primeira individual do artista Arnaldo de Melo na galeria Sé. As 27 pinturas expostas foram guardadas pelo artista durante três décadas e só agora são mostradas ao apúblico. Com a curadoria de Tereza de Arruda, historiadora da arte radicada em Berlim desde o final da década de 1980, a exposição é acompanhada de um catálogo editado pela Sé no qual estão reproduzidos estes e outros trabalhos que Arnaldo realizou durante sua estadia na Berlim ocidental do final dos anos 80.

Arnaldo de Melo residiu em Berlim de 1987 a 1990, retornando a São Paulo seis meses após a queda do muro. Sua estadia na cidade coincide com o tempo em que Berlim ainda pulsava forte como a Meca da pintura neoexpressionista. Amparado por uma bolsa DAAD (o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), o artista frequentou a Hochschule der Künste Berlin (hoje Universität der Künste) com a orientação de Karl-Horst Hödicke, destacado artista da primeira geração dos pintores Neuen Wilden (Novos Selvagens). A candidatura do artista para a bolsa DAAD visando a academia de Berlin contou com cartas de apresentação de Leon Kossovitch, José Resende e Mira Schendel, que viam em suas pinturas realizadas antes, em Nova York (1984-85), a pertinência de sua aproximação mais efetiva com os pintores alemães.

A série de pinturas feitas sobre jornais da época ressalta a preferência do artista por suportes do cotidiano, uma escolha deliberada que se inclina sobre a Arte Povera da segunda metade do séc. XX e evidencia a plasticidade operada pela pintura ou pelo desejo de pintar, considerando onde, quando e como se decidir que uma pintura seja realizada. Essa escolha por materiais ordinários tornou-se mais contundente quando, em Berlim, o artista leu um manifesto de Joseph Beuys que dizia, em tradução livre, que “o erro começa quando alguém se prepara para comprar chassis e tela”.

Muitos dos trabalhos sobre papel apresentados na Sé dialogam com a produção do artista realizada sobre telas de grandes dimensões em seu atelier de Berlim. Alguns, em tamanhos reduzidos e mais intimistas revelam resultados de uma formação acadêmica nada convencional ou pouco afeita a contornos rígidos, evidenciam os materiais utilizados, como o lápis-cera, a caneta esferográfica ou o carvão; em outros trabalhos o veículo da monotipia traz contornos a uma plasticidade. Nesse lote de trabalhos remanescentes até então inéditos para o público, encontram-se, ainda, desenhos feitos em viagens à Itália e cidades da Alemanha visitadas pelo artista em sua habitual peregrinação a museus e galerias de arte.

Um elemento forte a destacar em todos esses trabalhos expostos na Sé é a presença intencional tanto da figuração generalizada e personificada dos Novos Selvagens alemães, quanto da abstração e da gestualidade com influências do abstrato-expressionismo americano, provenientes do período em que o artista morou em Nova Iorque (1984-85). Para Arnaldo, a pintura gestual não é mero procedimento dentre outros, ou sequer uma maneira mais adequada aos seus impulsos, mas, antes, um posicionamento existencial. Conforme ouviu de seu orientador Hödicke, “uma decisão entre figurativismo e abstração jamais seria um assunto”, na medida em que “tudo é abstração”. 

Rua: Roberto Simonsen , 108

São Paulo / CEP 01017-020

tel+ (11) 3107-7047

Abertura

02.04.2017

Visitação

terça a sexta 12h - 19h

sábados 12h - 17h

sáb / 12 - 17h

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